Abaixo um trecho da obra de Jung, extraído da própria contracapa...
Quando alguma coisa escapa da nossa consciência, essa coisa não deixou de existir, do mesmo modo que um automóvel que desaparece na esquina não se desfez no ar. Apenas o perdemos de vista. Assim como podemos, mais tarde, ver novamente o carro, também reencontramos pensamentos temporariamente perdidos. Parte do inconsciente consiste, portanto, de uma profusão de pensamentos, imagens e impressões provisoriamente ocultos e que continua a influenciar nossas mentes conscientes. Um homem desatento ou "distraído" pode atravessar uma sala para buscar alguma coisa. Ele esquece o que buscava. Suas mãos tateiam pelos objetos de uma mesa; não se lembra do seu objetivo inicial, mas ainda se deixa, inconscientemente, guiar por ele. Percebe então o que queria. Foi o seu inconsciente que o ajudou a se lembrar.
(Jung. O Homem e Seus Símbolos. Ed. Nova Fronteira)
Este é um tema que venho investigando para um trabalho de conclusão de Arteterapia.
Frequentemente, tenho que parar minha leitura para refletir sobre o meu próprio processo inconsciente... De certa forma, por muitos anos, passei caminhando no escuro, tateando as paredes, os móveis, os objetos... O inconsciente me ajudou a lembrar o que eu estava procurando!
E saber que usamos o termo inconsciente de uma forma pejorativa muitas vezes... Jung através de centenas de experiências, em sua trajetória de vida, nos traz esta magnífica obra, que hoje é digna de uma pequena legião de adeptos que simpatizam com sua forma de abordagem do inconsciente e seus conteúdos antes considerados como ignorantes, arcaicos e reprimidos.
Jung nos traz o frescor de poder dizer... Sim, o inconsciente é uma espécie de consciência dinâmica e ativa em nossas vidas! Através das imagens e sonhos e situações que brotam dele, podemos escolher participar do mistério da Vida e sua experiência primeiramente mística!
Um grande abraço!
"Open Your Mind"
Júlio César